18.7.12
style
preciso pensar 2x antes que eu me parta ao meio na noite onde cães são humanos & churrascarias são palácios de buckingham.
9.7.12
make no olho
aos bons dias aquele abraço apertado & uns gatos pingados ao redor
cantando a melodia do inferno, pois somente eu, sucessivamente, desligo o
telefone em acessos de raiva contra meu baby que ainda dorme quando a razão
soou como ampulheta.
mais 3 mortes enfileiradas no currículo. ao encerrar a luz você
explodiu de volta, me fez desistir dos diamantes no concreto. mas é que às
segundas eu não estou aqui. em momento algum foi necessário chá das 5, filme do
bergman ou fratura exposta.
deixei de lado a reforma da casa, a decoração do banheiro para acordar
na terça-feira com um arco & flecha na ponta dos dedos. o melhor amigo do
momento me confidenciou pequenas guerras, quase que revoluções que nem sequer
duram 2 meses.
aí não perdi tempo. parei de beber & me desorganizei visualmente. do
quinto andar, qualquer corpo reluzente é do tamanho da pedra que me cercou no
1º ato do meu drama.
no chuveiro, confirmei as suspeitas minutos antes de me embasbacar
bruscamente contra os azulejos da salvação.
Imagem: Gillian Lambert
30.6.12
planeta de plumas
delícia,
você: pequeno príncipe enjaulado com o peito a descoberto. eu me concentrando
em bares, bebendo tal & qual a tua indiferença de copo em copo, cinzeiro
sujo até a tampa, aquela doce babaquice que me envelhece por dentro antes do
tempo.
os
postais desviados por mero desacordo ortográfico de tempo & espaço entre
destinatário & remetente. o carteiro que ouve as minhas queixas. retaliação
ao processo que se transforma em inferno nos dias de correspondência acumulada,
chuva desnecessária, ritual sádico das individualidades cotidianas.
daí
investigo que o look do dia é uma fraude. minhas barbas de molho enquanto lavo
as mãos & entrego as sujeiras da memória aos deuses parados, calados.
lazers no olhar desintegrando realidade animália que me populariza nas sombras.
quintal sem galinhas onde fujo da quizumba & me escondo na alcova da
empregada.
não
há perdão: pobre de você, tão jururu ao lado da piscina.
dizem
que este é o remédio para quem marcou um x no mapa do amor. dizem que este é o
perigo disfarçado no zoom das fotografias. meu rosto que abocanha algum
orifício preso na parede dos teus lábios, como se eu te abraçasse como amigo
& no fundo tirasse uma casquinha.
então
lalheska lanvin me convida para o limbo dos drinks até a meia-noite. cruzamos
as pernas numa antipatia inevitavelmente catastrófica, porém nos desintegramos
a medida que a música atrai uivos & aplausos – nos recusamos aos bailes de
máscaras por falta de dinheiro, ascensão & simpatia.
uma
espécie de satanismo do coração.
queria
que você me amasse pra caralho, ou que experimentasse o buraco azul piscina
onde me afundo? ser quem ele foi & gritar o que ele tem que eu não tenho. talvez a amarelice desbotada de quem nada diz – ou na pior das hipóteses,
eu seria um lixo reciclado entre quatro paredes.
o
mel de tanta desconexão. nuvens de leões ferozes aqui esculpidos. mas por você
eu daria piruetas, aceitaria sem piscar duas vezes minha lua em peixes.
regra
do aqui se faz, aqui se paga. espero concomitantemente como o primeiro da fila,
olhar fixo de pedra, boca suspensa no fim do jogo. protocolo da convivência
pacífica com o espaldar do mundo. visto negado por tempo indeterminado no
aeroporto de xangai.
peço
que não insistam no papo, hoje acordei líquido.
quem
me jogou fora, de longe observa meu rastro de sangue ou o plano para o próximo
livro sem festa, licor, balacobaco.
acreditem
enquanto é tempo.
22.6.12
o espelho de ângelo
Calculando, nobre Ângelo, o número exato de
quadriláteros no chão de casa. As poucas visitas na memória. Assim é o buraco,
aproxime a cabeça e verás um espelho no fundo do lago. Não minto quando digo
que a tua cabeça é mais bela, mas se o pudor persistir lanço meu melhor
conselho: não beba, fume seus cigarros e qualquer palavra mal dita ecoará nas
semanas futuras. Temos que manter cautela, os buracos escorregadios nos espreitam.
Caindo, o que acontece? O buraco sugará nossas roupas? A visão de fim de jogo
nos acompanha, fingimos antipatia, conhecemos pessoas interessantes. Mas o mais
bêbado dos ladrões diz que nos deslumbramos com as novas ramagens. Não é
pecado. Somos ursos polares buscando frio no grande sol de uma noite dançante.
Quem nos vê não vai embora, quem parte pra longe luta contra a insônia. Eu
deveria ter lutado contra o buraco, por isso transformei moedas em carvão. Meu
corpo é uma paisagem de grama narrada pelos seguidores do profeta morto. Não
deixei nenhum escrito para a posteridade de estantes. Os adeptos desta
filosofia ouvem, com as mãos no queixo, as parábolas de quem não me impede de
humanizar o buraco.
Meu
horror: baixa imunidade no pensamento de luta. Diante da enxurrada de
informações forçadas tive que invadir a conversa alheia, só assim eu teria
motivo para ser visto – e na melhor das hipóteses, admirado por quebrar a
falsidade de convidado em casa estranha. No primeiro rosto a rosto um copo
caído, derramando cerveja nas vestimentas ricamente limpas: banho nas partes
íntimas.
No
urro, e no inchaço, caro Ângelo, o animal se recompõe para a próxima mordida.
Prometeram-me distância ancorada no baú de objetos pontiagudos. Sangue ferindo
o mundo, criação da cor vermelha. Tornei-me pedra no chão: pedaço de concreto
frágil – suculento para um fluxo de perdas. Homem algum dizendo: tu não serás
monumento. É Ângelo quem maquia a minha memória. Dinamite: comparação com a
potência de motores de carros. O automóvel atinge o muro, o buraco se fecha.
16.6.12
nervous breakdown
Saturday night lights e a coragem exigida para
mergulhar dentro, muito dentro de você. Mas eu poderia falar sobre outra coisa,
explicar o porquê e etc.
Bobinho, tudo é uma questão de tática. Tática do
absurdo numa realidade contra o terror de nós mesmos – eu, que já não quero
falar de nós quando na verdade o desejo
é aquele antigo direito de encarar o clichê do rosto diante do espelho. Levanto
e tranco a porta do quarto. Eu quero que você fuja daqui, que me esqueça. O silêncio
do quarto como testemunha da palavra a ser dita, mas por alguma razão omitida.
Sensação bebê de Rosemary.
Sensação “direito
ao grito” (vide Clarice Lispector hoje tão vítima de gente tonta e equivocada).
But I don´t know
what to do.
(Assunto tratado sob o aspecto de uma mente quase
doentia. A culpa? Um mero palpite aqui dentro).
Call 911.
8.6.12
& na TV o sol brilha
noite & a redenção da culpa, você estava ali perto & não percebeu.
tracei mais uma vez o registro dos fatos, das supostas mortes.
paranoia apocalíptica num papo ao telefone enquanto eu cruzava a rua.
faço de conta que tudo é uma questão de ordem.
outro item para a lista de afazeres.
o manifesto ideológico que eu tanto planejei & descartei.
as esferas de cada um em cada canto.
o beijinho doce na madrugada mantida em segredo.
perplexos, eles não saberão dos detalhes sob a lua das drogas & conversas leais.
transmuto o sim no olho da caveira.
porta aberta, livros amontoados, dor na garganta.
nó no peso das costas & papo fugaz de desocupados.
mas mantendo engasgado o próprio tempo, acendi mais um cigarro.
low profile que se reverte na falta de paciência.
seguro os nós, baixo a guarda naquele passo rápido demais para que não me alcancem.
& na TV o sol brilha: fumaça que sai da boca.
convite pro cinema, virgínia woolf escrevendo sobre a tarde inglesa.
you are there & not-there.
aproxime-se um pouco mais enquanto me apresento & explico a origem do nome.
sabe-se lá quem quis, amou, pecou & saiu correndo.
à deriva da ameaça pedi conselho aos montes.
um dia depois telefonaram para amenizar os mares.
21:22 antes da meia-noite no meu voo de bruxa sanguinária.
28.5.12
o resto é psicologia barata & o preço do analista não condiz com o meu terror
as dores & as sensações de alívio misturadas às cartas que eu não escrevi. o coração mantido numa espécie de redoma em peso morto - contas no fim do mês, tempo escasso numa quinzena de meses. o jogo aflito do homem perdido no rastro de um milênio de rostos, festas, dicas de moda. de repente quem vai embora espera que no fim do dia você possa enxergar os porquês. mas você não entende, nem exige explicação durante o processo. aí corro na direção dos carros, chego atrasado ao encontro, desligo o telefone, cumprimento numa falsa ansiedade como se antes de mim eu fosse a salvação de mim mesmo. mas o resto é psicologia barata & o preço do analista não condiz com o meu terror.
23.5.12
there´s more to life than this, né?
bobinho.
incrível como eu superestimo o inferno dos medos, nervosismo sem conjugação, copos quebrados na mesa, fatura do cartão de crédito. insônia dos dias super desenvolvidos na ofensa, uns contra os outros, meu bem. há tempos cansei das mesmas falas. gente linda pintando vida perfeita que você não vê por aí. existe um complô? uma redução nos gastos? dormir ao som das trombetas do deus-dará numa corrida contra o tempo.
amando enquanto há tempo. sofrendo enquanto há tempo.
e depois?
a cilada das comparações. você versus você. o mundo versus o mundo.
bobinho.
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