15.8.11

a cobra não há de engolir o próprio rabo


[ando loucamente sem nenhuma conclusão, os círculos que se fecham, a cobra que engole o próprio rabo? ainda com vários truques de sobrevivência, o cabelo por cortar, aparência reerguida após um telefonema de amor em plena madrugada. a nesga de mar em conspiração com a memória - que aos pouquinhos vai se desfazendo em falso perigo]

feriado na cidade e tudo o que eu posso garantir é...

[3 horas em ponto] subordinação ao dia.


Imagem: Allyson Mellberg
 

11.8.11

avenida dos gestos (trecho)

o meu querido "avenida dos gestos" está pra sair até o fim desse ano, assim espero, então aqui vai um trecho com o meu louvor:

"ainda em julho: mês do coração na acupuntura, folheio os jornais em busca de limites, o caderno de notas aqui, S. não proclama interesse, desvio meu navio e jogo as âncoras pro alto pensando num barco aos pedaços: troca que não diminui o peso, faz definhar o rato de laboratório, assim como eu, & nossos olhos idênticos,

o lado de lá ensolarado, o lado de dentro estrangeiro durante o sonho, amor desfeito & as presenças como um flerte preso aos calcanhares, my dear, estive por muito tempo (mais de 6 meses, acredite) a mergulhar meu rosto na piscina, não obtive resposta quando a paixão ousou inserir vogais às sensações, estupidez de quem acredita na farsa do vilão, amei & desacreditei (hoje acredito & venero) o que em mim se refaz após estes desejos fluorescentes, me reedito após estes tropeços,"

3.8.11

muito longe de ti

Quando escrevi o "Elefante-Rei: Poemas B" este foi o primeiro poema pronto, lembro do orgulho que senti, pois mesmo sendo tão simples, o poema retratou uma verdade íntima que eu guardei por muito tempo e que com o decorrer do tempo me livrei, mas de uma forma libertadora e sem pressão. Truques do destino.



Querido pai desencontrado,
os olhos são telhas de vidro,
o fruto em minhas mãos nasceu de tua árvore,
o teu amor-silêncio é unicamente
sangue, não é presença,
recebi amor estrangeiro ao nascer,
e a culpa não redimiu os meus pecados,
a glória na remissão dos meus pecados.

Mas o que não se desfaz,
o que não se esconde,
este sou eu e não uma cor verde,
este é o desejo sobre tua memória,
e a tua morte será o meu grito:
um castigo de dor que alivia.

Muito longe de ti
em voltas, cambalhotas, quedas.
Muito longe de ti
e a falta do teu divino reconhecimento
que para mim é tesouro sem pedras preciosas.
E já estou perdido nesta cidade,
inútil em pedir auxílio,
inútil como os descrentes nas ruas.
As ruas, as esquinas, as pessoas mortas,
o barulho, as coisas, as reações.

Sou escravo das ventanias da mente,
correntes prendem as tuas mãos,
mordaça em nossa boca,
minhas pernas arranhadas.
Sou escravo muito longe de ti,
os olhos são telhas de vidro,
um castigo de dor que alivia,
este sou eu e não uma cor verde.

Imagem: Nucleus Medical Art, Inc.

28.7.11

o morro das impenetráveis uivantes


aqui jaz o limbo das conspirações, linguagem ferrenha no duelo de divas. tom maior sobre o tom pasmódico das luzes. close-up que não enriquece as entranhas (não sufoca os elos do eu sou eu, você é você).

noções de self-marketing (pois é preciso?), no entanto sacudimos nossas correntes em relação ao outro, abocanhando a (in)dignidade do outro - ângulo convexo, no caso.

somos monstros. ratazanas de bordel. abajur intolerante no centro da escuridão.

um telegrafista é maravilhosamente bem vindo. compensamos o dinheiro ralo com:

a) atenção em demasia (decodificando os fluxos do amor);
b) elogios protuberantes (o realce da cor dos teus olhos);
c) carnaval em dia santo (pois a dança é o latido dos cães modernos).

eu sou o que você quiser, baby. e não tenho vergonha.

imagem: siyu chen

20.7.11

yyy, sim, porém, não:

O destino compensa, triste desencanto diante das possibilidades. Em desacordo com o que eu havia planejado, um silêncio mortal tomou as rédeas. Desisti por um tempo de narrar, sob uma perspectiva pós-moderna, os relatos e constatações das amigas Tangerine e Clementine. Estávamos num café enquanto eu tomava nota de todos os podres e atos pitorescos dos homens sem um pingo de sex appeal. Segundo elas, a cantada ao pé da orelha se resume ao transtorno que é ser invadida durante abraços sem pegada, beijos sem sal, descontroles da ereção. Clementine é comprometida, o que lhe garante o viés de fina observadora. Já Tangerine, ela é neurótica como eu.

Sumi por um tempo do meu contato diário com F. Nossos e-mails são remédios de tarja preta que amenizam as recaídas das dores. Refletimos (ele, de Madri, eu, de Fortaleza) sobre o porquê das ciladas. Mas hoje prestarei contas da salvação momentânea, no caso.

Joana Rosa K fortalece o andar aos barrancos. Temos projetos literários, ela será minha editora, além da alegria em sabê-la como primeira fiel grande leitora.  Joana profetiza um enorme sol diante da noite sem estrelas. (Os detalhes do nosso night out é segredo, coisas simples, porém secretas).

Lady Lazarus na botecagem de terça, não compareci por desajuste, muito o que fazer, pensar, tricotar, refletir, blá blá blá.

Enquanto isso, Lalheska Lanvin me estupra um sorriso numa de suas entrevistas, quando ela pergunta: "E as influências? Além das experiências extraterrestres".

13.7.11

heartbeat


Ainda há pouco, Lady Lazarus comentou sobre nosso momento low profile. Desliguei o telefone, surpreso, inutilizado com o teor do meu choque, será? Continuei minhas obrigações, rememorei detalhes & planos para sexta. É que o tempo nunca é suficiente, como se os dias incorporassem rostos pela metade. De repente é preciso dormir, o coração hesita, as horas ditam o próximo passo, teimo em anotar planos, notas, detalhes absurdos durante o reflexo no espelho? Mimeografarei a sordidez do comportamento para depois enfatizar os custos, vitórias, derrotas, Síndrome de Estocolmo dos meus sonhos.

8.7.11

talk to me De Niro


Dear diary: decidi me desbocar por culpa do falso pudor irremediável. Acredite quem puder. Pedras rolarão, omissas. Confiança que me faz cuspir ao alcance daquele rosto indigno, medíocre, refém do pilling (como se eu não soubesse dos tais segredos de motel). Tudo isso é uma falsificação do tempo a bancar o tolo diante de nossas fuças. As mãos abusam & repelem & dividem (em partes desiguais) as cartas do nosso jogo perplexo de baralho.


Sexta, momento vamos dançar um tango: telefonar para V., manter nosso encontro de pé, afinal eu sou a onça a me cutucar com vara curta. Por hoje, nada de encarar a persona. Estou aqui, baby, aproveite esse momento sutileza & me encante com sua postura séria, calada, observadora (controlo calafrios de prazer).  Cansei das muralhas aqui, nas esquinas, nos passos longos & rápidos. 

O interessante é que estarei a beber, enquanto V. me observa cair do falso pedestal, tão lúcido & eu me desvencilhar dos planos, caindo em contradições, divagações sobre o porquê de eu sumir tanto de sua vida. Pois é, sumo, tática de vingança inofensiva. Segredo total, deixo claro. Tudo seria mais fácil se, ao invés das conversas, partíssemos para uma noite boogie, no caso.

Imagem: Robert Wilkinson

3.7.11

mixtape impenetrável

Música é uma maravilha, & os dias exigem trilha sonora. Então pedi que a amiga Maarji Castilho fizesse uma seleção de canções impenetráveis. O resultado saiu melhor do que eu esperava. Ouvi pela primeira vez num saturday afternoon & hoje compartilho com vocês, queridos leitores do blog. Tem No Porn, Grace Jones, Everything But The Girl, Fever Ray, Kate Bush, Sade, Holly Golightly.

A mixtape é curtinha, ótima pra se ouvir enquanto você lava a louça, ou arruma o quarto, ou se prepara para uma festa-botecagem-cafezinho com os amigos.
(Ou quando você está sozinho em casa, pensando na vida ou naquele amor que te levou à auto-destruição)

Chegou a hora da vingança: impenetralismo way of life.