23.8.11

deus


De joelhos, o homem abraçou o silêncio do quarto e rezou para que qualquer deus pudesse alcançá-lo na súplica. Após a oração, o homem desejou não ter vida, prometendo aos santos a eliminação de sua sombra. As imagens sacras, coloridas, permaneciam intocadas no altar improvisado na sala de casa. O homem que era generoso e ausente da própria sorte quis enxergar os vigores do presente, como se ao se despedir das demoras, pudesse exilar o passado no passado. E enquanto todas as manhãs demonstravam que os dias são esperas constantes, ele imaginou pedir ao céus uma saída, imaginou rabiscar o próprio nome, imaginou ter um irmão, e com ele, de braços dados, marchar rumo ao jantar em família. Ambos com destinos opostos, numerando-os como duas faces sobrepostas, e que o mundo enfim impedisse as separações.

5 comentários:

  1. que lindo, antonio. gostei também do título. Saudades...

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  2. Belíssimo....Encantador.


    Joana Rosa k

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  3. Boa noite...é bom saber que existe saida para tudo nao e mesmo? Deus...sabe muito bem quando é hora de quem partir e nao adianta querer ir antes...Abraços!

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  4. Deus. Realmente existe?
    É, eu prefiro pensar que existe. Um ser unico que transforma as pessoas, corações e mentes. O importante é viver um dia após o outro.
    Um grande abraço, com carinho,

    Pedro

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  5. Não é fácil captar - como vc. faz - estados da iminência. Famílias se dissolvem com estalar de beiços. Irmãos não duram mais que um roçar de dedos. Tudo passa sobre a terra, diz nosso pai J.de Alencar. abração, Kiki

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