eu só queria fotografar
o céu nublado da cidade. pensar em você durante o networking. sabe-se lá onde
eu estaria, engolindo um sorvete, ou nado tipo borboleta neste vale. a inspiração
você trouxe no bolso, escondeu dentro da cueca, ousou filosofar contra o meu
amor numa praia, rente aos amigos, o sol de 2013 que hoje partiu incrível.
então sigo assim: águia presa no quarto, aganjú presa ao meu destino. mas eu
nem me contento quando enxergo as tuas mãos que só querem beijo. nas mesas, eu me
entrego ao primeiro sorriso, nunca ao primeiro rosto, sempre ao amor passageiro
como cúmplice. aí eu fiz tudo pra você se interessar, discutir, errei por
ceder, cedi por culpa do ping pong do desejo. ou não me importo se sou mulher
febril, homem sem paraíso, criança maquiavélica. anna kurnikova manteria a
cabeça erguida nesta passarela de causas tão frívolas, espécies sem dentes,
rainhas destronadas, sanguessugas do corpo loucas por um verão menos arbitrário
e carnal. nossa horrenda paixão em links pornográficos e sem rumo.
2.1.14
29.12.13
LOOK DO DIA
o
domingo rendeu:
três
episódios de “the twilight zone”;
alguns
contos do cortázar;
solidão
pacificadora;
páginas
do diário;
tv
ao fundo;
networking;
ecos de “oh boy”;
planos
íntimos e clichês para 2014;
realidade
niilista.
25.12.13
TRÊS FILMES SOBRE NOSSAS VIDINHAS
Eu
não sei vocês, mas eu tenho o hábito, ou melhor, o vício de me projetar em
filmes, livros, pessoas, situações e dramas. Como pobre mortal, acho que essa é
uma forma de encarar melhor a realidade e tornar a vida mais, digamos, vivível.
Há
meses, procurei desesperadamente por filmes onde eu pudesse ter um real senso
de identificação. O primeiro deles foi Tiny
Furniture (EUA, 2010) da Lena Dunham (já escrevi sobre ele no blog).
Então
saí numa caçada em busca de histórias mais ou menos com a mesma temática: jovens
de vinte e tantos anos que não sabem o que fazer de suas vidas, outsiders contemporâneos
sem nenhum glamour, solitários diante do mundo-cão que exige que você seja isso
ou aquilo.
Além
de Tiny Furniture, a grande satisfação de 2013 foi Frances Ha (EUA, 2013), e por último, Oh Boy (Alemanha, 2012) que assisti na noite de Natal.
Esses
são três bons exemplos que retratam a “geração que não deu certo” na visão de
jovens cineastas sob a perspectiva da falta
de esperança e motivação, ou de pessoas que sucumbem à ausência de
problemas verdadeiramente sérios e dramáticos. Tudo gira em torno da relação
entre os indivíduos e os famosos dilemas pessoais.
As
narrativas em si são simples, e o que mais me chamou a atenção foi a despretensão
no desenrolar dos fatos, pois em momento algum o gênero “filme cabeça” cai como
uma luva.
Super
recomendo para dias de solidão em casa, feriadões, ou quando você quiser se livrar do mundo por algumas horas.
23.12.13
ANA CRISTINA CESAR & UM SIMPLES CAMPONÊS SERVIL
Eu
poderia começar este texto assim:
Lendo
e relendo a obra poética de Ana Cristina Cesar, eu tento decifrar o mapa
circunstancial da palavra-registro, do registro que se revela pela metade, do
relato íntimo através de cartas; e de uma espécie de confidência sem ritmo que oscila entre a realidade confessional
e a literária. Como ela mesma escreveu em “Correspondência
Completa”, livreto composto por uma única carta em edição artesanal de
1979: “Fica difícil fazer literatura
tendo Gil como leitor. Ele lê para desvendar mistérios e faz perguntas
capciosas, pensando que cada verso oculta sintomas, segredos biográficos. Não
perdoa o hermetismo. Não se confessa os próprios sentimentos. Já Mary me lê
toda como literatura pura, e não entende as referências diretas”.
Mas
não, só preciso manter o registro de que Ana C. é minha poeta brasileira favorita. “A Teus Pés” é a bíblia dos meus dias, o
meu livro-consolação/obsessão, o conforto para o vale de lágrimas, o diamante
mais brilhante da cabeceira.
Mas
Ana, querida, você está certa e errada ao mesmo tempo. Cedo ou tarde precisamos
sim confessar nossos sentimentos. E o hermetismo é uma faca de dois gumes,
afinal há anos não acredito em verdades universais.
30
anos após sua morte, eu me compadeço das minhas feridas e das tuas, como um
simples camponês servil que ritualiza o silêncio no peito na hora do rush dessa
terrível cidade.
19.12.13
ABRA OS OLHOS, CORAÇÃO
look
bobo, você de skinny-megera, eu fugindo do verão, o colar de alice em
madrepérola, ele que me instiga uns horrores, me deixa de queixo caído, não
volta atrás, ensaia desculpas, bate forte a porta do quarto, finge que vai
embora, fica mais um pouco, me trai na noite, marca o dedo no peito, pede que
eu seja alzira, a noite é sempre surda, cola o ouvido na madrugada, separa o
dinheiro do táxi, pede outra cerveja, lança olhares tortos, coça o nariz, disca
o número do dealer, esforça-se concomitantemente, foge pro banheiro, acende
mais um cigarro, quer que eu o siga, estaciona as mãos nos bolsos, aqui jaz o
perigo, escreve bilhetinho pro paquera, não quer mais, anota o telefone, pisca
o olho, promete ser a salvação dos meus dias, me fala ao ouvido, dança 3 passos
de samba, ensaia pausa dramática, comete deslizes, retarda o envelhecimento e
afunda o meu bote salva-vidas.
12.12.13
DAS POSSIBILIDADES DA SOLIDÃO
A gente se identifica,
então a gente ama. E tenho sido cúmplice dessa solidão moderna, doméstica, e que
aos poucos, arranca pedaço e a gente nem percebe. Penso no livro, no mês de
janeiro, no meu dente convalescente, nos antibióticos, no novo caderno onde
escrevo meus poemas que são lindos, pois você e eu precisamos acreditar em
alguma coisa. Além disso, tenho lido bastante, me encantado com Budapeste do Chico Buarque (apesar dos
anos de atraso), Macau do Paulo
Henriques Britto, e ao mesmo tempo feliz com as possibilidades reais e irreais
da vida. Penso também numa viagem, mas o destino não tenho certeza. Ouço muito Team
e Tennis Court da Lorde. Às vezes eu
me sinto um personagem fatídico de Raymond Radiguet, pois acredito muito nessa
espécie de autoficção a toda prova. Então eu te pergunto, citando trecho de “O baile do conde d´Orgel”: “Os movimentos de um coração como o da
condessa d´Orgel serão antiquados?”
8.12.13
SÁBADO, VIRGINIA, APARTAMENTO, ARTPOP, WONDER, CERVEJA, DANÇA, DUBLAGEM, TROÇU, VIDA
“And I detest all my sins”
Madonna – Girl Gone
Wild
Eu
acredito que o sábado seja a menina dos olhos de ouro da semana. Então eu me
vejo no centro apocalíptico da cidade onde eu moro. As ruas abarrotadas de
gente, calor, água mineral por 1 real, camelôs magia, congestionamento, e numa
banca de jornal “Os artigos feministas de Virginia
Woolf” que eu não comprei por não ter um puto no bolso e por não saber onde
ficava o caixa 24h mais próximo. Na verdade, eu sou uma daquelas pessoas sem o
mínimo senso de localização, o tipo de gente que se perde no próprio bairro, na
própria rua, inclusive – e na vida.
Eu
já havia planejado, após o trabalho, sessão de cinema all by myself no shopping.
A pós-modernidade que oprime nunca foi tão babadeira. Aí como num estalar de
dedos de algum anjo misericordioso, a BFF Maarji
me envia um SMS para mais um encontro joy & satisfaction em seu apartamento:
“Ei, vem pra cá! A gente pode ver uns filmes,
nem precisa ter cerveja. Adoro quando tu vem. Vem!”
Saí
correndo e tomei um belo ônibus lotado de paixão. Nos encontramos no Extra Supermercado, onde saquei uma
grana e fugi do quiosque de milshake horrível, mas que me rendeu uma bela foto
sob o sol escaldante no sábado passado, cujo título foi: “Look verão depressão
feat. MILKSHAKE DE MORANGO”.
Pela
primeira vez na vida, havíamos combinado um encontro SEM CERVEJA (!), nos reuniríamos apenas para um bom papo ou algum
filme cult (nas nossas mentes).
Segue
então o diálogo quem-disse-o-quê próximo ao setor de bebidas, ou melhor, no
setor de bebidas em si:
--
Vamos comprar pizza, coca-cola, batata ruffles, maçãs e...
--
E o quê?
--
Umas cervejas.
--
Cerveja?
--
Mas nós não íamos “não-beber”?
--
Já que você não quer, vou comprar umas pra mim, então.
--
Então tá, vamos levar umas 12?
Ok,
o plano anti-etílico foi por água abaixo, afinal de contas as nossas vidas (e a
sua também) pedem por algumas cervejas, acredite.
No
apartamento, Maarji, que não é santa, me mostra a edição especial do ARTPOP da Gaga que vem com um dvd do show ao vivo no iTunes Festival 2013. Enlouquecemos e apertamos o play cantando “when I lay in bed I touch myself and think of you”.
Enquanto
as cervejas gelavam, comentávamos o quão legal era a performance, as músicas,
todo o imaginário ao redor do ARTPOP, o duelo das divas, o possível ódio da
Madonna...
O
melhor desses encontros sabáticos é que prezamos tanto a irrelevância das
coisas que não nos importamos se é cool ou não curtir Lady Gaga. Somos todos little MONSTROS, anyway.
Após
o show, substituímos o suposto filme francês pelo documentário “Meu amigo Cláudia” que retrata a trajetória
da digníssima Cláudia Wonder:
transexual, e ícone da cena gay de São Paulo nos anos 80. Assistir esse documentário
foi uma espécie de celebração, pois Maarji recentemente finalizou um TCC sobre
a Cláudia.
Quando
nos demos conta não havia mais cerveja. Sem pensar 2x fomos novamente ao EXTRA
comprar mais alguns fardos. No caminho, queríamos saber o endereço do famoso
bar BOCA DE TROÇU. Perguntamos ao
caixa, que não soube responder. Até hoje vivemos com essa dúvida.
“Eu
falei: BO-CA DE TRO-ÇU”.
Mas
a noite pareceu não ter fim, dançamos, cantamos, fizemos vários
vídeos-dublagem, Maarji tirou a roupa e fomos felizes do nosso jeito. De quem é
a culpa?
3.12.13
AVISO DO CORAÇÃO
dezembro. preciso muito
me livrar do meu livro, pronto, terminado. dois anos de trabalho e reflexão,
ambos semi-árduos. por isso colhi cada perspectiva íntima, cada barra,
vislumbre, noites exageradas como combustível. só mais um tempinho e ele chega,
pois eu já não me preocupo com os prazos da vida. em 2014 ele finalmente dará o
ar da graça, e só falo isso porque tem quem pergunte, gente que cobra, acredita
e se interessa. fiquei feliz porque o tadeu sarmento vai escrever o prefácio.
ele leu e gostou, disse coisas muito bonitas. o livro em si é o meu registro
consciente, intransferível. ficção animália versus coração em carne viva. quando
estiver pronto eu aviso. prometo. ❤
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