16.3.12

cilada óbvia



Quando há o medo de dizer a coisa errada você fecha os olhos e repensa palavras, cala a própria voz e ninguém sai ferido? Ou quando você é o único ferido numa competição de frases de efeito sem qualquer serventia. Aí há os que fingem amor, cumplicidade, troca mútua de olhares de aço, olhares de mármore na cidade tão desabitada. Conversando a gente não se entende e o que eu menos preciso é de uma cilada óbvia. Nas regras do ofício perdi o tom pessoal numa cruzada de paixão e ódio versus alguma coisa escondida atrás do pensamento.

14 comentários:

  1. Não confio em quem tem medo de dizer qualquer coisa. Nem que diga pra si, em silêncio.
    Então, vou confessar: Não suporto a Chloë Sevigny.

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  2. competição entre orgulhos feridos e quem-tem-mais-razão, eu fujo dessas também, e concordo plenamente que 'conversando a gente não se entende', eu prefiro fazer a egípcia.

    beijo.

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  3. Então o melhor é ficar em silêncio?

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  4. É uma confusão entre o silêncio e o dizer. Impropriamente, eu diria. Mas o mais próprio seria saber qual deles usar, na hora mais apropriada.

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  5. Pra mim pouca coisa é pior que engolir certos sentimentos. É como se eu estivesse me matando aos poucos.

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  6. conversando a gente nunca se entende, eu entendo isso muito bem, não insisto.

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  7. o meio termo é preciso. felizmente ou infelizmente.

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  8. O meio termo é nosso medo de agir por inteiro. Que bom que ele existe, na real.

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  9. Jogar tudo que temos pra dizer em uma conversa pode assustar, afastar...teve uma época que pensava que era bom dizer tudo...agora falo pouco, escuto mais e penso muito.

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  10. Este comentário foi removido pelo autor.

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  11. Texto muito bom, Antônio. Muitas vezes o que esperamos é só a cilada mais óbvia para se deixar cair.

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  12. Gosto de prosa. Realmente gosto. E a sua, para mim, soou de excelência. É muito bom conhecer estilos diferentes dos nossos e que contanto contam a mesma repetida realidade do eu. Foda.

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